sexta-feira, 27 de novembro de 2009

PCC-Percepção de Conclusão de Curso

Um Cachorro Bravo escreve:

Bibliografia obrigatória nos TCC's dos orientandos do Fauzi



Tornar-se Pessoa, Carl Rogers.

Bibliografia obrigatória nos TCC's dos orientandos da Amélia


Cultura e Saúde nas Organizações, Álvaro Tamayo


Bibliografia obrigatória nos TCC's dos orientandos do Coelhinho, se eu fosse como tu...



Ciência e Comportamento Humano, B.F. Skinner.

Bibliografia obrigatória dos orientandos da Mafald... Sanmia



A Construção do Real na Criança, Jean Piaget.

Bibliografia obrigatória dos orientandos da Valeska



www.contoerotico.com.br, vários autores.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

E se?

Um Cachorro Bravo escreve: Eu vi as últimas postagens monólogas e sofríveis de um confrade aí pensei: "Eu vou escrever alguma coisa. Preciso me aquecer para páginas e páginas de trabalhos finais". Mas logo veio aquela ambivalência trivialmente crítica: escrever para quê? Para quem? Justo agora?!

Após meia década, me despedi de uma companheira maravilhosa por não mais ser capaz de escrever pra ela (metaforicamente). As circunstâncias que me levaram a isso foram as mais diversas e infelizmente em um momento de tantas mudanças e atribulações, que se agravam mais com o fechamento de um ciclo como a graduação. Me fiz (errado mesmo) a mesma pergunta que há pouco o Mestre Guto, oh saudoso Mestre Guto, também fez: "Você já sabe o que vai fazer?" A resposta veio na ponta da língua, com a habitual leviandade, mas parece entalada nas falanges. Não sabia que esse tipo de coisa pudesse acontecer. Bem, sabia, mas faz muito tempo que não passo por isso. O pior de tudo é que determinates intangíveis conseguem me deixar tão confuso. Armei uma cilada pra mim mesmo. Não sei dizer ao certo se sou triste ou alegre no momento, mas tanto faz o humor. Eu preciso é de certeza(s) e a única que tenho até agora é que estou confuso, logo eu que demorei tanto tempo para organizar minhas coisas, para simplificar tudo. Logo agora.

"Ê mundo cão"!

Já esta funcionando o aquecimento. O que não está funcionando são as maneiras apresentadas para me evitar de ter contato com tanto potencial lascivo. Ora bolas, bolinhas e bolas 46. Tudo para não compartilhar algo gostoso(a) pra baralho. Se alguém ler e não entender toda essa conversa, não se desespere. Aqui não tem sumário, só um fio de Ariadne. Você certamente não "pegou a ponta dele" nem viu as primeiras esquinas do labirinto de perto, o que o torna extremamente sensato. Então vá otimizar seu tempo! Agora, as partes interessadas, leiam até o final, embora daqui pra frente eu possa parecer um pouco maníaco depressivo sexual.

Hoje... atualmente as horas estão passando rápido, estou fazendo minha parte para que continue assim, apesar de não gostar muito de passar o dia esperando ele passar. Assim tem sido desde domingo. Pizza+cerveja+piscina de madrugada dá uma onda muito doida. Já perdi horas de sono, vigor, muito suor e tudo porque eu sei que tirei algo muito importante da vida de alguém Linda. Talvez um dia você me desculpe, mas o fato é que há muito tempo isso não é mais seu, de verdade. À contragosto dei a uma Delícia. As coisas não sairam como o planejado pelo simples fato de nada ter sido planejado. Essa é mais uma verdade! Pelo menos estou(ava) onde domino(ava): no campo do improviso, meio sem jeito agora, mas se for muito ajeitado não é improviso. Não posso deixar de ser esperto!

E se tivesse sido planejado? E se ela tiver afim? É agora que o título faz sentido?

Já estou melhorando, sem precisar ir ao fundo do poço pra isso, nem derramar uma lágrima. O velho Lobinho não as tem mais. Mas eu fui ao fundo de muita gente para compensar! Conversas são sempre boas, com pessoas coerentes então?! Pena que hoje só quem me atendeu foi um Negão atribulado em seu "trampo", com certeza sua falta de trato não foi culpa dele. Ele é brother, congruente demais pro meu gosto, mas é brother. A Velma magrela passou mal o dia inteiro.

Saldo do dia: minha semana finalmente começou. E quem me deu "a boa nova" foi um sábio mecânico hoje cedo. Não, não há marcas de pneus em minhas costas que denunciem que eu andei me divertindo. O mais impressionante de tudo é que ela começou mais ou menos no mesmo horário em que parou: 4 e pouco da manhã. Coincidência.

Agora estou devidamente pronto para fazer a lição de casa.

O que aprendi? Que "nasci na época errada". Românticos, definitivamente, "são loucos e pirados".

E daqui pra frente? Bem, o Lobinho finalmente está solitário.

domingo, 30 de agosto de 2009

O Moto da Vida

Um Cachorro Bravo escreve:

Fazia algum tempo que eu não conseguia chorar, de verdade, por algo que não fosse necessariamente triste. Sabe? Só se sentir emocionado a ponto de chorar.

Enfim, como pra tudo na vida, eu sei que tem uma razão externa que desencadeia reações em mim e que consequentemente geram mudanças no meu mundo. Eu não vou dizer qual é a razão pro meu choro, por que no fim das contas eu acho que ela não é muito importante. O importante mesmo é a reflexão que vem junto com o choro. E a primeira coisa que eu pensei foi:

-Thiago, o que você está fazendo?

Pode ser que essa pergunta já estivesse no meu inconsciente antes de assumir todo esse simbolismo. Muita gente me pergunta isso todos os dias. A minha mãe me pergunta isso. A minha chefe me pergunta isso. A minha namorada me pergunta isso. O Twitter me pergunta isso.

Só que fazia tempo que eu não respondia algo que não fosse substancialmente lacônico como: "eu tô vendo TV", "Eu tô respondendo os e-mails do incompetente de Goiânia", "Eu tô tentando ser engraçado pra você", "Eu tô chutando o cachorro".

Mas indo um pouco além dessa epiderme de vida, tem muita coisa que eu também tô fazendo. É fato que eu tenho vivido como um doente. Eu tenho entristecido minha mãe. Eu tenho maltratado o meu cachorro. Eu tenho bloqueado muita gente no MSN. Eu tenho reclamado demais e feito muito menos.

A vida passa, o vigor cessa e eu tenho agido como se estivesse apenas esperando o meu dia chegar. Eu começo a admitir que eu tenho aspirações imediatistas, como melhorar de emprego e beber cada centavo dos três mil reais que eu vou pagar pela minha formatura. São, como eu disse, aspirações imediatistas em vez de sonhos e projetos. Esse estilo de vida tem afastado boas pessoas que realmente importam e atraido outras tão hedonistas quanto eu.

Eu agradeço então a Deus pelos bons amigos que ainda me cercam e para os quais eu sei que sou realmente inestimável. E assopro a poeira de sobre os sonhos que eu enterrei em algum lugar do esquecimento.

Eu quero sair de Brasília mas não pode ser apenas por puro asco da cidade. Tem que ser por que eu quero a qualidade de vida que eu não consigo ter aqui. Independente dos obstáculos presentes, eu sei que é possível que eu me especialize na área que me traga maior realização profissional. Eu quero ir a São Paulo com tempo suficiente pra encontrar o Lucas e bater um bom papo tomando aquela cerva. Eu quero me sintonizar com a pessoa certa, que talvez eu já tenha encontrado, e só precise ficar aberto para o que ela quiser me oferecer.

Por hoje já foi muito bom ter revisto o Pepe e ter esboçado a composição de uma música com ele e o Fernandinho. Foi ótimo saber do nascimento do bebê do Andy e foi muito bom ter tido esse facho de reflexão.

Agora tá na hora de dormir. Mas eu quero amanhecer com esse mesmo espírito pra encarar a vida tendo dentro de mim um dia ensolarado, ainda que lá fora arme-se uma tempestade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

E se a gente também tiver um Obama?

Um Cachorro Bravo escreve:

Geralmente antes de começar a postar alguma coisa sempre me vem uma frase que eu considero de maior efeito ou que automaticamente levaria o leitor a se envolver com o texto, como que familiarizando-o. Hoje essa frase de efeito não veio. Deve ter perdido o ônibus que eu peguei e ainda deve tá lá na parada em que eu sempre desperdiço bons minutos da minha vida.

Sinceramente eu não queria que o clima fosse assim tão melancólico, mas o problema é que os dias tão cada vez mais sombrios. Nunca a famosa frase do Tio Chagas: "A ignorância é uma benção", ou a variável mais poliana da Talita: "a ignorância é a mãe da felicidade" fez tanto sentido como agora.

Pode ser efeito dos filmes que eu ando vendo. De uma tacada eu assisti Presságio (Knowing, Paris Filmes,2009), Independence Day (Independence Day, Fox, 1996) e uns traillers do 2012 (2012, Columbia, 2009).

A idéia do fim assombra. Eu já disse uma vez que a gente carrega a centelha da eternidade, por isso a gente não gosta de pensar a própria morte.

Então é isso? Eu nunca imaginei que o conhecimento pudesse ter limite. Mas a impressão é que nós estamos chegando muito perto do máximo de nossa capacidade de armazenamento e compreensão. Se o Tio Darwin estiver certo, eu acho que a raça humana não teve tempo suficiente pra evoluir a ponto de poder comportar toda a carga de informações que é lançada sobre ela diariamente.

A gente sempre soube que a Record é bancada pela Igreja Universal do Reino de Deus. Só que nem sempre a gente se deu conta de que a Globo sempre foi bancada com dinheiro público, o que é mais imoral ainda. E mais. Se a Record tem presença cativa nos púlpitos neopentecostais da igreja do bispo Macedo, não deixa de ser notório o envolvimento explícito da Rede Globo com o espiritismo, tema constante de seus folhetins e sempre alvo de marketing positivo na grade de programação da Platinada.

Todo mundo sabia que o Sarney roubava há mais de 25 anos, quando entrou pra política. Mas o povo não tava nem aí. Tinha até o lance da galera achando engraçado ser "fiscal" do Coronel do Maranhão.



Por que justo agora a galera tá se sentindo enojada, colocando nariz de palhaço e tocando o tema do Poderoso Chefão quando o Sarney passa? Mas que pá de povo burro! Ou seria povo de memória seletiva demais?

Por que agora o povo tá zoando com as caretas do Collor? O povo que hoje se enoja das caretas do senador e apoia as pilhagens do CQC é o mesmo povo que antes achava o Collor um tesão (Ah, galerinha pop que chupa as bolas do careca do CQC! O senhor Marcelo Tas vive na FIESP¹ e é um dos garoto-propaganda do Senhor Burns Serra).

Todo mundo achando ridículo o Lulinha Marolinha chafurdando na lama do senado, abraçando todo tipo de porco. Comportamento no mínimo esquizofrênico um líder tão aclamado internacionalmente beijar as botas desses coronéis. Mas o Sapo Barbudo sabe que tipo de desgraça DEMoníaca pode assumir a presidência do Senado se o El Bigodón cair. Os tucanos voam como urubus em cima da crise que eles mesmo inventaram.

Todo mundo sabe disso.

Mas não pense você que eu tô com a outra galerinha que acha que manter a hegemonia do torneiro-mecânico é o melhor pro Brasil. Dilma nem pensar. Não sinto firmeza nesta senhora e imagino que ela seria apenas uma marionete nas mãos de gente como o Genoíno e o Dirceu.

Torço para que a Marina se candidate. As chances de que ela vença as eleições de 2010 são ínfimas. Principalmente se ela se filiar a um partido podre como o PV. As propostas de campanha que ela provavelmente defenderá também não estão de acordo com o tipo de barganha a que o povo brasileiro está acostumado a lidar. Desenvolvimento Sustentável? Proteção pra Amazônia? Expurgo da floresta de ONG's estrangeiras oportunistas?

Pro brasileiro isso é grego.

Em geral, o nordestino tá querendo o arroz e feijão certo de cada dia. Amazônia é coisa de índio. Pode mandar tocar fogo naquele matagal.

Pro pessoal do Centro e Sul do País, o melhor a se fazer é se livrar do nordeste, declarar independência e vender a Amazônia pra gringada.

Marina da Silva na presidência é uma Utopia. Se por algum milagre inexplicável e fora de cogitação, pelo menos pra mim neste momento, ela fosse eleita, teríamos um motivo de orgulho muito maior do que o Lula frente as demais nações do mundo. Ela representa um ideal de honestidade e luta que não é perceptível em nenhum outro político brasileiro. Nem mesmo no Lula.

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¹ TAS, FIESP e RPNC: O Careca do CQC, que sempre faz uma pose de cidadão indignado no programa da Band, é assíduo frequentador da FIESP, um antro da Direita. Ele é brother de um playboy chamado Sérgio Morisson, que promove o movimento Rir Para Não Chorar (RPNC). Ultimamente o RPNC distribuiu narizes vermelhos para que meia dúzia de palhaços protestassem contra o Sarney e os incentivou a exigir, via Twitter, a renúncia do senador comedor de farinha de puba. Esse movimento descende do CANSEI, outro rompante da classe média desocupada de São Paulo, que teve a audácia de fazer campanha política às custas do sofrimento dos parentes das vítimas do acidente da TAM em 2007.
Enfim, o que eu acho engraçado, e eu acho graça pra não chorar, é que o careca finja fazer jornalismo humorístico-investigativo, quando na verdade tem cor partidária. E ela é de um azul-tucano da cor do FHC.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

É o Começo do FIM

Um Cachorro Bravo escreve:

Quando começou a onda da galerinha dizer que o Orkut era coisa de brasileiro e indiano sub-desenvolvido, que chique mesmo era ter um Facebook, eu não liguei.

Quando criaram uma comunidade pra Bicha Muda de Juazeiro, eu não liguei.

Quando o pessoal começou a sair do armário pelos álbuns, páginas de recados e comunidades de gosto duvidoso do site azulzinho, eu continuei sem ligar.

Eu não liguei a mínima pro advento do Twitter.

Mas agora que até esse pessoal aqui tá criando perfil no Orkut, eu, como diria a sra. Duarte, estou com medo. Muito medo.

Orkut do Gilzinho. Clique pra ampliar.



E o Lulinha Marolinha.


Podem ir preparando o enterro e as flores.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Quando as Estrelas começarem a cair, me diz, me diz, pra onde é que a gente vai fugir?



Começou assim:

Minha mãe atende o telefone e depois fala pra mim:

-Thiago, é a D. Luzia. Ela quer que você vá dormir na casa dela hoje pra fazer companhia pro Vitinho.

Eu não penso duas vezes. Sigo pra casa da esquina. Levo o meu Super Nintendo, com os cartuchos do Mario World, Toy Story, Lamborguini e Top Gear debaixo do braço junto com meu travesseiro.

Ver o moleque que eu idolatrava numa situação fragilizada não diminuia o tamanho dele na minha vida. Era um privilégio. O meu herói precisava do meu apoio. E eu ia estar lá. Para o que ele precisasse.

Isso aconteceu quando eu não devia ter mais de 11 anos. Eu ainda era o Tatu-Bolinha de um post anterior.

Os anos foram passando, a gente cresceu, o mundo mudou. Tudo mudou.

Num dia eu me equiparei ao meu herói. No outro nós discutimos por causa de uma namoradinha. Depois a gente se separou e depois eu elegi outro herói no colégio, o Léo. E agora na fase adulta, se é que eu posso chamar assim, elegi o Fidel pra essa função simbólica. Os últimos totalmente diferentes do herói que jogou bola comigo aos dez anos.

Esse meu primeiro herói, que precisou da minha presença no quarto quando perdeu o irmão mais velho, se desvencilhou não só de mim mas também da própria vida. Ele se envolveu com drogas. Ele se envolveu com bandidos. Ele foi preso. Duas vezes.

Eu me orgulhei do dia que a gente se reconciliou. Pedi desculpas. Disse que perder a amizade dele nunca foi o que eu quis. Quando ele saiu da cadeia pela segunda vez, eu, contente, dei dois tapinhas de leve no rosto dele.

A gente se reconciliou mas não voltou a ser amigo. A gente se falava na rua. Era um "E aê, Vitão", que era respondido com um "Fala, Thiagão". E só.

Agora são 23:56 do dia 20 de julho de 2009. O Vitão já não é mais. O corpo dele ainda deve estar ali na rua que atravessa a minha sendo apreciado pela polícia, curiosos, parentes e amigos. Não soube muito, mas ao que parece, alguns menores sairam de um pálio prata e dispararam contra ele no rosto. Quando ele caiu, eles continuaram. Disseram que ele ficou desfigurado.

Justo o Vitinho.
O mais bonitinho da turma. Que todo mundo amava.
Todo mundo amava ele.


domingo, 12 de julho de 2009

Herói

Um Cachorro Bravo escreve:

Devia já cursar o ensino médio quando li um livro chamado Baleiro, Balas do escritor Antônio Marchetti. A temática do livro era sobre um rapaz que sofria abusos físicos pela madrasta e pelo pai e fugia para uma cidade que tinha trejeitos de ser Salvador-BA. Lá ele se tornava vendedor de balas num cinema pulguento e, a duras penas, galgava degraus até um patamar mínimo de dignidade. Em certo trecho do livro, o protagonista reflete sobre um comentário de outro personagem sobre a natureza da virtude. Este personagem, um dono de cantina, declamava sua filosofia de marmita sobre um outro baleiro de boa reputação:

-O que é bom já vem feito!

Essa premissa chocava-se com toda a idéia que o rapaz tinha da educação como sendo algo construído e moldado ao longo da vida. Para ele não só o caráter acadêmico, mas também a constituição moral eram trabalhados ao longo dos anos e, caso contrário, corria-se o risco de tornar-se o homem um animal degenerado pela sociedade e pelos vícios que ela oferta.

Meu ponto de vista sempre coincidiu com o desse personagem. As pessoas não são más simplesmente por nascerem más ou são boas por nascerem boas. As pessoas aprendem a ser boas ou más. Aprendem a ser egoístas ou altruístas. Corajosas ou covardes.

Contudo, uma semana atrás um episódio me fez refletir sobre esses conceitos e em como eles podem ser flexíveis.

Um garoto que mora na rua de cima à minha casa estava sendo surrado por três homens corpulentos que o acusavam de ter roubado um celular da namorada de um deles.

A discrepância entre a estatura física dos envolvidos era enorme, mas os homens não tinham piedade. Quando o menino estava quase inerte, um outro rapaz que não deve pesar mais de 60 quilos se pôs entre os homens e o garoto. Arriscou a pele, literalmente, por outra pessoa a qual ele nem mesmo tinha segurança quanto à inocência.

Mais uma história dessas de coragem que a gente escuta pelas esquinas. O diferencial pra mim era que eu nunca tinha reparado naquele moleque magrinho. Conheço ele desde o início da adolescência. O pai é um alcoólatra que, até onde eu sei, já foi acusado de abusar sexualmente de uma criança deficiente. Também soube que havia iniciado sexualmente um garoto que mora no fim da rua e este garoto veio, posteriormente, a se assumir homossexual. A mãe do herói sempre se mostrou alguém distante. Raramente eu a vi sair de casa e sempre aparentava uma tristeza profunda.

Independente disso ele sempre foi boa praça. Não gostava de beber. Não andava com o pessoal barra pesada. Sempre foi bem quisto pela vizinhança e pela molecada.

O Skinner vai me dizer que eu não tive acesso a todas as contingências. Que ele tem reforçadores que estimulam o comportamento altruísta e por aí vai.

Eu sei, eu sei. Mas isso não diminui nem um pouco a minha admiração. Talvez eu tivesse muito mais condições de ter aprendido a ser alguém mais altruísta e, mesmo assim, acho que eu nunca fiz nada que se equiparasse ao ato do Emerson.

Acho que é por que nem todo mundo nasceu pra ser herói.